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Ensaio: A Noção de Senso Comum em Aristóteles e Antonio Gramsci
A ideia de senso comum, como uma forma de conhecimento partilhado e quase instintivo entre os homens, é um tema recorrente na filosofia ocidental. Aristóteles e Antonio Gramsci, embora separados por séculos e contextos culturais e políticos bastante distintos, oferecem duas perspectivas influentes sobre o conceito.
Aristóteles e o Senso Comum
Aristóteles introduz a noção de “senso comum” em sua obra “De Anima” (Sobre a Alma), onde ele descreve-o como uma capacidade da alma de perceber e integrar diferentes sensações dos sentidos individuais (como visão, audição, olfato, etc.) em uma única experiência coerente. Este conceito não deve ser confundido com “opinião comum” (aliás que é integrante das obras de Platão, onde existe a oposição e diferença, entre “doxa” e “episteme”) ou sabedoria convencional, mas sim como uma faculdade essencial do conhecimento que permite aos seres humanos perceber o mundo de forma unificada e fazer julgamentos básicos sobre ele.
Para Aristóteles, o senso comum é um dos aspectos que distinguem os seres humanos dos outros animais, pois está ligado ao raciocínio e à capacidade de comunicação articulada. Essa unificação das experiências sensoriais é crucial para o conhecimento prático e teórico, servindo de base para o desenvolvimento mais refinado do intelecto.
Antonio Gramsci e o Senso Comum
Em contraste, Antonio Gramsci, escrevendo em um contexto de análise política e cultural, redefine o conceito de senso comum em suas “Cartas do Cárcere”, inspirado na dialética marxista, a meu juízo, na segunda versão, já afastada da saborosissima sátira demolidora de A Ideologia Alemã (aliás só editada em 1932). Para Gramsci, o senso comum é o conjunto de concepções e ideias que são amplamente compartilhadas por uma população em um determinado momento histórico. Ele vê o senso comum não como uma capacidade do conhecimento, mas como um campo de batalha ideológico, pois, a relativização contida na Introdução à Crítica da Economia Política, aduz que é no terreno das ideias, onde as classes dominantes implantam suas visões de mundo para manter a hegemonia cultural. E de onde, como Marx e Engels fizeram em 1845, se faz o acerto e liquidação de “crenças limitantes”.
Gramsci argumenta que o senso comum é fragmentado e muitas vezes inconsistente, refletindo as contradições sociais e econômicas de sua época. Apesar disso, ele acredita que pode servir como ponto de partida para o desenvolvimento de uma consciência crítica se submetido à influência da filosofia e da ciência. Através da educação e do debate intelectual, as massas podem ser conduzidas a um “bom senso”, o qual seria uma forma de senso comum mais crítica e coerente com a realidade objetiva das relações sociais.
Comparação entre Aristóteles e Gramsci
Embora o senso comum aristotélico e o gramsciano partilhem o nome, suas naturezas e funções são bastante distintas. Para Aristóteles, o senso comum é uma função essencial do conhecimento, um pré-requisito para o pensamento e para a percepção integrada do mundo. Já Gramsci trata o senso comum, dialeticamente, tal como no começo imediato e ingênuo, de uma pequena sociedade de 10.000 homens livres, numa massa de 400.000 trabalhadores em situação de escravidão, mulheres, estrangeiros e crianças sem qualquer direito, apenas deveres, como uma dinâmica socioeconômico e cultural, uma arma poderosa na construção de gente humana ativa, sujeitos, não coisas, trastes inúteis a serem descartados, e espezinhados, em uma ferramenta para a emancipação da Humanidade.
Ambas as perspectivas, contudo, destacam a importância do senso comum em suas respectivas áreas de influência: a filosofia natural e a crítica social. Enquanto Aristóteles nos fornece a base para entender a percepção e o intelecto humanos, Gramsci nos alerta para a necessidade de questionar e transformar as ideias que dominam nossa vivência cotidiana. Assim, o estudo do senso comum continua a ser uma ponte fértil entre a epistemologia e a análise cultural, relevante tanto para o entendimento da mente quanto para a transformação social.
Ouso definir Emanuel Lasker como o maior filósofo do Xadrez. A Filosofia, a meu juízo, termina com Hegel, que criou problematicamente o método de se orientar nas contradições sociais, onde reina o trabalho assalariado (Para quem se dispuser a um estudo autônomo recomendo a seguinte obra: acesso é grátis : https://www.marxists.org/portugues/lukacs/1938/jovem/index.htm) . Mas o que restou de pé da Filosofia? A Dialética como Lógica e Teoria do Conhecimento. O conceito de “morte da filosofia” [como filosofia especulativa], está contido na 11ª Tese sobre Feuerbach: “Todos filósofos se limitaram a interpretar o mundo. Cumpre transformá-lo”.
Nesta obra com o desenvolvimento “positivo” da apresentação do xadrez, bem como a “negativa” O Meu Sistema, de Aarão Nimzowitsch, estão expressas duas faces alienadas da função social do xadrez. Para mim, no sentido que chamo de alienadas, estas obras não se transformaram prática sensível-transformadora para “além das 4 (quatro) linhas do Tabuleiro. O primado do viver (SER) sobre o pensar (IDEIA) é a base do conhecimento histórico-dialético. No passado, pensava-se que o único local onde o conceito residia era no Olimpo da Ideia. Hoje, posso afirmar que qualquer ciência (e os cientistas) tem a necessidade de posicionar o objeto e o método de sua ciência no quadro geral do saber Humano.
E, assim, Jorge Lukács, dentre outros, situou a Física das Quantidades de Energia (Física Quântica), no seio mesmo de suas Estética. (Veja-se à propósito ) . A noção de médio, média, entram em suas cogitações. (Na comédia cinematográfica carioca, “A chanchada da Atlântida”, “Oscarito e Grande Otelo”. “O sem noção”. ), são a realização do que estou citando. Antes mesmo de Lukács, Aristóteles usou o “senso comum” (bem diferente da Malandragem do Bom Senso) e afirmou que o lugar das coisas pesadas era no chão, e as leves no ar. O Malandro apareceu na figura do Bom Senso, apareceu no experimento de Galileu, que soltou dois objetos do Alto da Torre de Pisa, e, aproximadamente (descontada a resistência do ar) caíram ao mesmo tempo. Como ninguém sabe nascendo, o método de discutir senso comum, bom senso (Malandragem), foi amplamente tematizado, por outro italiano, Antônio (Nino) Gramsci tem enorme valor educativo.
Lasker tem um procedimento empático (ele se põe no lugar do aluno) e verifica como as definições (ou “regras” como ele escreve), e a partir deste ponto de vista, confirma ou rejeita as opções de cada lado. Muito instrutivo.
Sobre Emanuel Lasker:
Emanuel Lasker (à direita) e seu irmão (quem o ensinou o xadrez) Beltolt.
Else Lasker – Schüler, cunhada de Lasker. Escritora e dramaturga.
Emanuel Lasker e sua mulher Matha Cohn (fonte: de.chessbase)
E dward Lasker, apesar do sobrenome idêntico, não eram parentes, mas se consideravam primos afetivos. Edward Lasker tem vasta produção na literatura enxadrística.
Cronologia (Timeline – Linha do Tempo)
Nasceu em 24 de dezembro em Berlinchen, Prússia. (Atual Polônia)
Fundou a revista The London Chess Fortnightly.
Alcançou pontuação perfeita no torneio da cidade de Nova Iorque (New York, USA).
Tornou-se campeão mundial de xadrez depois de derrotar Wilhelm Steinitz.
Defendeu o Campeonato Mundial de Xadrez contra Frank Marshall sem derrotas.
Manteve o Campeonato Mundial de Xadrez contra Siegbert Tarrasch.
Empatou contra Carl Schlechter, mantendo o título de Campeão Mundial de Xadrez.
Perdeu o Campeonato Mundial de Xadrez para José Raúl Capablanca em Havana.
Forçado a deixar a Alemanha devido à perseguição nazista, mudou-se para a URSS.
Morreu em 11 de janeiro na cidade de Nova Iorque (New York) Estados Unidos.
Principais resultados em torneios
| Data | Local | Colocação | Observações |
|---|---|---|---|
| 1881 | Berlim | 1 | Torneio B |
| 1889 | Amsterdã | 2 | |
| 1889 | Breslau | 1 | |
| 1890 | Graz | 3 | |
| 1890 | Berlim | 1-2 | |
| 1892 | Londres | 1 | |
| 1893 | Nova Iorque | 1 | |
| 1895 | Hastings | 3 | Primeiro torneio de Hastings |
| 1896 | Nuremberga | 1 | Logo após este torneio houve o encontro revanche pelo título mundial com Wilhelm Steinitz |
| 1896 | São Petersburgo | 1 | |
| 1899 | Londres | 1 | |
| 1900 | Paris | 1 | |
| 1904 | Cambridge Springs | 2-3 | Frank Marshall venceu a competição. |
| 1906 | Trenton Falls | 1 | |
| 1909 | São Petersburgo | 1-2 | |
| 1914 | São Petersburgo | 1 | Lasker terminou a primeira fase em segundo lugar, atrás de Capablanca. |
| 1918 | Berlim | 1 | |
| 1923 | Ostrava | 1 | |
| 1924 | Nova Iorque | 1 | |
| 1925 | Moscou | 1 |
| 1934 | Zurique | 5 |
| 1936 | Nottinghan | 7-8 |
outro lado, podem ser perfeitamente apresentadas no quadro.
| ANO | Oponente | JOGADAS | Vitórias | Derrotas | Empates |
| 1889 | Bardeleben | 4 | 2 | 1 | 1 |
| 1890 | Bird | 12 | 7 | 2 | 3 |
| 1890 | Miniati | 5 | 3 | —- | 2 |
| 1890 | Mieses | 8 | 5 | —– | 3 |
| 1890 | English | 5 | 2 | —– | 3 |
| 1891 | Lee | 2 | 1 | —— | 1 |
| 1892 | Blackburne | 10 | 6 | —– | 4 |
| 1892 | Bird | 5 | 5 | —– | —- |
| 1893 | Golmayo | 3 | 2 | — | 1 |
| 1893 | Vasquez | 3 | 3 | —– | —- |
| 1893 | Showalter | 10 | 6 | 2 | 2 |
| 1893 | Ettingler | 5 | 5 | —- | —- |
| 1894 | Steinitz | 19 | 10 | 5 | 4 |
| 1896-7 | Steinitz | 17 | 10 | 2 | 5 |
| 1907 | Marshall | 15 | 8 | — | 7 |
| 1908 | Tarrasch | 16 | 8 | 3 | 5 |
| 1909 | Ianovisqui | 4 | 2 | 2 | —- |
| 1909 | Ianovisqui | 10 | 7 | 1 | 2 |
| 1910 | Schelechter | 10 | 1 | 1 | 8 |
| 1910 | Ianovisqui | 11 | 8 | —– | 3 |
| 1916 | Tarrasch | 6 | 5 | — | 1 |
| 1921 | Capablanca | 14 | —– | 4 | 10 |
Total 194 106 23 65




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