Senso Comum: Aristóteles e Gramsci em Análise

2025-11-10 by Reinaldo Silva

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maio 24, 2025

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Ensaio: A Noção de Senso Comum em Aristóteles e Antonio Gramsci

A ideia de senso comum, como uma forma de conhecimento partilhado e quase instintivo entre os homens, é um tema recorrente na filosofia ocidental. Aristóteles e Antonio Gramsci, embora separados por séculos e contextos culturais e políticos bastante distintos, oferecem duas perspectivas influentes sobre o conceito.

Aristóteles e o Senso Comum

Aristóteles introduz a noção de “senso comum” em sua obra “De Anima” (Sobre a Alma), onde ele descreve-o como uma capacidade da alma de perceber e integrar diferentes sensações dos sentidos individuais (como visão, audição, olfato, etc.) em uma única experiência coerente. Este conceito não deve ser confundido com “opinião comum” (aliás que é integrante das obras de Platão, onde existe a oposição e diferença, entre “doxa” e “episteme”) ou sabedoria convencional, mas sim como uma faculdade essencial do conhecimento que permite aos seres humanos perceber o mundo de forma unificada e fazer julgamentos básicos sobre ele.

Para Aristóteles, o senso comum é um dos aspectos que distinguem os seres humanos dos outros animais, pois está ligado ao raciocínio e à capacidade de comunicação articulada. Essa unificação das experiências sensoriais é crucial para o conhecimento prático e teórico, servindo de base para o desenvolvimento mais refinado do intelecto.

Antonio Gramsci e o Senso Comum

Em contraste, Antonio Gramsci, escrevendo em um contexto de análise política e cultural, redefine o conceito de senso comum em suas “Cartas do Cárcere”, inspirado na dialética marxista, a meu juízo, na segunda versão, já afastada da saborosissima sátira demolidora de A Ideologia Alemã (aliás só editada em 1932). Para Gramsci, o senso comum é o conjunto de concepções e ideias que são amplamente compartilhadas por uma população em um determinado momento histórico. Ele vê o senso comum não como uma capacidade do conhecimento, mas como um campo de batalha ideológico, pois, a relativização contida na Introdução à Crítica da Economia Política, aduz que é no terreno das ideias, onde as classes dominantes implantam suas visões de mundo para manter a hegemonia cultural. E de onde, como Marx e Engels fizeram em 1845, se faz o acerto e liquidação de “crenças limitantes”.

Gramsci argumenta que o senso comum é fragmentado e muitas vezes inconsistente, refletindo as contradições sociais e econômicas de sua época. Apesar disso, ele acredita que pode servir como ponto de partida para o desenvolvimento de uma consciência crítica se submetido à influência da filosofia e da ciência. Através da educação e do debate intelectual, as massas podem ser conduzidas a um “bom senso”, o qual seria uma forma de senso comum mais crítica e coerente com a realidade objetiva das relações sociais.

Comparação entre Aristóteles e Gramsci

Embora o senso comum aristotélico e o gramsciano partilhem o nome, suas naturezas e funções são bastante distintas. Para Aristóteles, o senso comum é uma função essencial do conhecimento, um pré-requisito para o pensamento e para a percepção integrada do mundo. Já Gramsci trata o senso comum, dialeticamente, tal como no começo imediato e ingênuo, de uma pequena sociedade de 10.000 homens livres, numa massa de 400.000 trabalhadores em situação de escravidão, mulheres, estrangeiros e crianças sem qualquer direito, apenas deveres, como uma dinâmica socioeconômico e cultural, uma arma poderosa na construção de gente humana ativa, sujeitos, não coisas, trastes inúteis a serem descartados, e espezinhados, em uma ferramenta para a emancipação da Humanidade.

Ambas as perspectivas, contudo, destacam a importância do senso comum em suas respectivas áreas de influência: a filosofia natural e a crítica social. Enquanto Aristóteles nos fornece a base para entender a percepção e o intelecto humanos, Gramsci nos alerta para a necessidade de questionar e transformar as ideias que dominam nossa vivência cotidiana. Assim, o estudo do senso comum continua a ser uma ponte fértil entre a epistemologia e a análise cultural, relevante tanto para o entendimento da mente quanto para a transformação social.

PREFÁCIO DO EDITOR

Ouso definir Emanuel Lasker como o maior filósofo do Xadrez. A Filosofia, a meu juízo, termina com Hegel, que criou problematicamente o método de se orientar nas contradições sociais, onde reina o trabalho assalariado (Para quem se dispuser a um estudo autônomo recomendo a seguinte obra: ­­ acesso é grátis : https://www.marxists.org/portugues/lukacs/1938/jovem/index.htm) . Mas o que restou de pé da Filosofia? A Dialética como Lógica e Teoria do Conhecimento. O conceito de “morte da filosofia” [como filosofia especulativa], está contido na 11ª Tese sobre Feuerbach: “Todos filósofos se limitaram a interpretar o mundo. Cumpre transformá-lo”.

Nesta obra com o desenvolvimento “positivo” da apresentação do xadrez, bem como a “negativa” O Meu Sistema, de Aarão Nimzowitsch, estão expressas duas faces alienadas da função social do xadrez. Para mim, no sentido que chamo de alienadas, estas obras não se transformaram prática sensível-transformadora para “além das 4 (quatro) linhas do Tabuleiro. O primado do viver (SER) sobre o pensar (IDEIA) é a base do conhecimento histórico-dialético. No passado, pensava-se que o único local onde o conceito residia era no Olimpo da Ideia. Hoje, posso afirmar que qualquer ciência (e os cientistas) tem a necessidade de posicionar o objeto e o método de sua ciência no quadro geral do saber Humano.

E, assim, Jorge Lukács, dentre outros, situou a Física das Quantidades de Energia (Física Quântica), no seio mesmo de suas Estética. (Veja-se à propósito ) . A noção de médio, média, entram em suas cogitações. (Na comédia cinematográfica carioca, “A chanchada da Atlântida”, “Oscarito e Grande Otelo”. “O sem noção”. ), são a realização do que estou citando. Antes mesmo de Lukács, Aristóteles usou o “senso comum” (bem diferente da Malandragem do Bom Senso) e afirmou que o lugar das coisas pesadas era no chão, e as leves no ar. O Malandro apareceu na figura do Bom Senso, apareceu no experimento de Galileu, que soltou dois objetos do Alto da Torre de Pisa, e, aproximadamente (descontada a resistência do ar) caíram ao mesmo tempo. Como ninguém sabe nascendo, o método de discutir senso comum, bom senso (Malandragem), foi amplamente tematizado, por outro italiano, Antônio (Nino) Gramsci tem enorme valor educativo.

Lasker tem um procedimento empático (ele se põe no lugar do aluno) e verifica como as definições (ou “regras” como ele escreve), e a partir deste ponto de vista, confirma ou rejeita as opções de cada lado. Muito instrutivo.

Sobre Emanuel Lasker:



Emanuel Lasker (à direita) e seu irmão (quem o ensinou o xadrez) Beltolt.







Else Lasker – Schüler, cunhada de Lasker. Escritora e dramaturga.


Emanuel Lasker e sua mulher Matha Cohn (fonte: de.chessbase)

E dward Lasker, apesar do sobrenome idêntico, não eram parentes, mas se consideravam primos afetivos. Edward Lasker tem vasta produção na literatura enxadrística.

Cronologia (Timeline – Linha do Tempo)

  1. 1868

Nasceu em 24 de dezembro em Berlinchen, Prússia. (Atual Polônia)

  1. 1889

Ganhou o torneio anual de inverno do Café Kaiserhof e o Hauptturnier A ganhando o título de “mestre”.

  1. 1892

Fundou a revista The London Chess Fortnightly.

  1. 1893

Alcançou pontuação perfeita no torneio da cidade de Nova Iorque (New York, USA).

  1. 1894

Tornou-se campeão mundial de xadrez depois de derrotar Wilhelm Steinitz.

  1. 1907

Defendeu o Campeonato Mundial de Xadrez contra Frank Marshall sem derrotas.

  1. 1908

Manteve o Campeonato Mundial de Xadrez contra Siegbert Tarrasch.

  1. 1910

Empatou contra Carl Schlechter, mantendo o título de Campeão Mundial de Xadrez.

  1. 1921

Perdeu o Campeonato Mundial de Xadrez para José Raúl Capablanca em Havana.

  1. 1933

Forçado a deixar a Alemanha devido à perseguição nazista, mudou-se para a URSS.

  1. 1941

Morreu em 11 de janeiro na cidade de Nova Iorque (New York) Estados Unidos.

Principais resultados em torneios

DataLocalColocaçãoObservações
1881Berlim1Torneio B
1889Amsterdã2
1889Breslau1
1890Graz3
1890Berlim1-2
1892Londres1
1893Nova Iorque1
1895Hastings3Primeiro torneio de Hastings
1896Nuremberga1

Logo após este torneio houve o encontro revanche pelo título mundial com Wilhelm Steinitz
1896São Petersburgo1
1899Londres1
1900Paris1
1904Cambridge Springs2-3Frank Marshall venceu a competição.
1906Trenton Falls1
1909São Petersburgo1-2
1914São Petersburgo1Lasker terminou a primeira fase em segundo lugar, atrás de Capablanca.
1918Berlim1
1923Ostrava1
1924Nova Iorque1
1925Moscou1
1934Zurique5
1925Moscou3
1925Moscou5
1936Nottinghan7-8

MATA – MATA

outro lado, podem ser perfeitamente apresentadas no quadro.

ANOOponente

JOGADASVitóriasDerrotasEmpates
1889Bardeleben4211
1890Bird12723
1890Miniati53—-2
1890Mieses85—–3
1890English52—–3
1891Lee21——1
1892Blackburne106—–4
1892Bird55—–—-
1893Golmayo321
1893Vasquez33—–—-
1893Showalter10622
1893Ettingler55—-—-
1894Steinitz191054
1896-7Steinitz171025
1907Marshall1587
1908Tarrasch16835
1909Ianovisqui422—-
1909Ianovisqui10712
1910Schelechter10118
1910Ianovisqui118—–3
1916Tarrasch651
1921Capablanca14—–410

Total 194 106 23 65

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